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Tomaz tinha 03 ou 04 anos na época. Foi com seu pai assistir uma peça INFANTIL de teatro - O TRENZINHO DE VILLA LOBOS - no final da apresentação as pessoas estavam levantando para saida - Tomaz continuava sentado em estado de espanto e decepção - O pai disse a ele que ja havia terminado a peça e precisavam ir embora, o garoto que continuava sentado perguntou a pai - "Papai que hola que o tenzinho vai vilá lobo "
Tomaz beijo do seu tio que te amo muito .

criado por alan
21:32:44
Amor mais que discreto
Caetano: “Não sei se é certo a pessoa ser gay ou não. Só sei que é uma possibilidade”
Letra da música inédita “Amor mais que discreto”, de Caetano Veloso, que fala sobre o amor entre um homem mais velho e outro mais novo, que está em seu mais novo CD “Multishow ao vivo - Cê”. Em entrevista coletiva realizada ontem, Caetano confessou que, em seus shows, ninguém entende que a letra é gay. Será que as pessoas não entendem ou preferem não entender?
AMOR MAIS QUE DISCRETO
Talvez haja entre nós o mais total interdito
Mas você é bonito o bastante
Complexo o bastante
Bom o bastante
Pra tornar-se ao menos por um instante
O amante do amante
Que antes de te conhecer
Eu não cheguei a ser
Eu sou um velho
Mas somos dois meninos
Nossos destinos são mutuamente interessantes
Um instante, alguns instantes
O grande espelho
E aí a minha vida ia fazer mais sentido
E a sua talvez mais que a minha,
Talvez bem mais que a minha
Os livros, filmes, filhos ganhariam colorido
Se um dia afinal
eu chegasse a ver que você vinha
E isso é tanto que pinta no meu canto
Mas pode dispensar a fantasia
O sonho em branco e preto
Amor mais que discreto
Que é já uma alegria
Até mesmo sem ter o seu passado, seu tempo
O seu antes, seu agora, seu depois
Sem ser remotamente
Sequer imaginado
Por qualquer de nós dois

criado por alan
20:36:52Art Decô (Arte decorativa)
Sucessor do Art Nouveau (Arte Nova), o Art Decô é considerado o mais popular de todos os estilos.
O Art Decô manifestou-se sem limites em todo o mundo.
Nos anos 20, nos Estados Unidos, o Art Decô conviveu com o jazz, com o Charleston, com Fitzgerald, com o crack da bolsa de New York.
Na França, estilistas escandalizaram a França e a Europa encurtando as saias acima do joelho.
Na Alemanha o Art Decô foi levado às ultimas conseqüências torno-se o estilo que os designers alemães queriam para massificar e popularizar o desenho industrial.
Marcado por duas grandes guerras, 1914 – 1918 e 1939 - 1945, no meio desta ebulição de inspiração e arte, encontramos a artista plástica Tâmara de Lempicka. Figura musa do decô.
Vamos ser pertinentes com este Blog... Ela foi um anjo torto no Art Decô.

Tamara de Lempicka
Nasceu em 1898 na Polônia. Casou-se com um milionário russo. Em 1918 foge da Revolução Bolchevique para Paris, onde Maria Gurwik-Górska encontraria seu verdadeiro destino. Adota um novo nome – 'Tamara de Lempicka', tornando-se discípula do pós-impressionista Maurice Denis e do neocubista André Lhote. Do primeiro, herdará o colorido brilhante e sólido; do segundo, o desenho geométrico e a maneira de decompor os volumes.
Se tornou rapidamente personagem do circuito das artes dos 'années folles' da Paris nos anos 20, retratando a vida mundana e membros da nobreza.
Em 1925 já era famosa por seus casos extraconjugais, liberdade sexual, bissexualidade e pelo sucesso de suas exposições individuais.
Em 1939 mudou-se para os Estados Unidos.
Bela, emancipada, moderna e escandalosa, personagem das noitadas nova-iorquinas e dos salões parisienses de Arte, Tamara de Lempicka encarnou a 'folia' dos 'anos loucos' – as décadas de 20 e 30 do século passado. Poderia notar em sua companhia celebridades como Greta Garbo, Picasso e outros da época. Eram esplendores que camuflavam o abuso de cocaína, a depressão, as dificuldades nas relações familiares e, por fim, a solidão.
Em 1962, para de pintar, em 1978 muda-se para Cuernavaca, no México, aonde viria a falecer, em 1980.
Conforme expresso em seu testamento, suas cinzas foram dispersas, pela filha Kizette e o Conde Giovanni Agusta, sobre o vulcão Popocatepetl.

O Art Decô teve seu revival, voltou a ser moda nos anos 70 e 80.
Uma coisa me surpreende, a maioria dos artistas mais conhecidos, poderíamos mencionar vários, com raras exceções, viveram na miséria mal conseguiam vender suas obras... morreram doentes, alcoólatras, viciados, loucos e na miséria em que sempre viveram.
Tamara de Lempicka nasceu na riqueza, viveu na nobreza, foi bem sucedida, vivia rodeada por ricos e celebridades da época, teve todos os homens e mulheres que desejou.
Morreu solitária, depressiva e desejou que suas cinzas foram colocadas em um vulcão mexicano.
Imagino que o desejo esteja ligado ao fato de que os vulcões são indomáveis e são veículos de renovação da terra do planeta.
Apesar da situação paradoxal, vejo um sentimento comum entre aqueles ... desde Michelangelo, Van Gogh, Alejadinho e poderíamos pensar em cazuza, Torquato Neto e tantos outros que povoaram esse planeta, a insatisfação da criação .. Sempre procurando a criatividade maior, a Monalisa de cada um.
Será que por esse motivo foram geniais. Procuravam o prazer desenfreado como quem procura saturar o desejo de serem plenos.
Muitos se perderam na busca atroz de encontrar a perfeição absoluta e o estado de sublimação de seres humanos. E nós o que procuramos, acho que jamais serei um artista... me satisfaço com o simples fato de ser.


criado por alan
21:22:52
(Con)viver com palavras não é fácil, principalmente se a nossa necessidade de palavras for uma ânsia. Às vezes fica difícil saber se habitamos as palavras ou se são elas que nos habitam. Esse atrito cruel entre presença e fuga, controle e descontrole, compreensão e incompreensão. Mas o melhor de tudo é que, por mais que doa, e dói muito, a coisa toda é muito prazerosa. Penso que escrever é nos atrevermos, corajosamente, à arqueologia do espelho.
Hoje entendo claramente o meu medo. Simplesmente medo, aversão às imperfeições do espelho, de confrontar com a lucidez cristalina da materialidade da palavra a obscuridade da intimidade mais funda aflorada na trama da nossa escrita, do nosso texto. Quando escrevemos nos tornamos um prato cheio para a voracidade do bom leitor, aquele que lê nas entrelinhas, nos silêncios, nos não-ditos, na intenção que se entortou no meio do caminho e contornou a pedra, a nossa fragilidade toda à flor da palavra que mais confirma quanto mais se nega...

criado por alan
16:10:25
Milton Santos: nascido no sertão bahiano, , formado em direito, Geógrafo doutorado na França, professor da USP , escritor e intelectual.
Faz 6 anos que faleceu o professor Milton Santos, em 24 de agosto de 2001. Há 09 anos deu uma entrevista a Revista CAROS AMIGOS, resgatei alguns trechos da entrevista que provavelmente nos trará saudade da genialidade do professor Milton e para aqueles que não conheceram seu pensamento a certeza da perda de uma personalidade impar e brasileira.
Depoimento dos entrevistadores:
“A placidez, a serenidade, a fala lenta e pausada, os gestos naturais, os silêncios, o sorriso permanente, a risada aberta e gostosa, tudo nele irradia humanidade. Estar a seu lado traz a segurança de estar perto da sabedoria.”
Frases do entrevistado:
“ ... a solidariedade, não existe mais no Brasil. A forma como se trata os aposentados – há um contrato da nação que cada pessoa cumpriu a vida inteira, e no fim dizem a ela: “Esse contrato não vale mais”. E isso é aceito! Então os diversos capítulos do que seria a solidariedade são bafoués, largados, e uma parte da sociedade aceita como normal porque estamos “no caminho da modernidade, para ser primeiro mundo”.”
Sobre o MST:
“Primeiro vejo como esse grito que a maior parte de nós não pode dar, não quer dar, que não nos convém dar. E creio que esse fim de século é dos paradoxos. Paradoxo é a contradição em estado puro, não é? Então, ao mesmo tempo em que o MST é criticado, ele é apreciado, pelo que contam as pesquisas.”
“... dizem-nos que o direito é para ser obedecido, quando na realidade ele é para ser discutido, pois o direito é o resultado de um equilíbrio provisório que se cristaliza – mas a sociedade continua dinâmica, então não se pode imaginar o direito assim imóvel como o querem. “
“A política é feita pelas grandes empresas. Os políticos não fazem política, o aparelho de Estado não faz política, são porta-vozes. O povo faz política, os pobres é que fazem política . Porque conversam , porque conversando eles defrontam o mundo, e buscam enfrentar o mundo. E agem, quando podem, em função do mundo. Creio que essa é a questão do MST.”
“...é a ditadura da informação, e informação criadora de mitos e de símbolos que são a base da globalização...
O movimento da sociedade desprende o mito, desprende o símbolo. Tanto que os outdoors são mudados com o propósito de recriar a propaganda eficaz.
Então há um limite à vida dessas ideologias, e será que esse limite está chegando? Qual é o limite do Real? Qual é o limite, por exemplo, do cálculo da inflação?
A classe média vive do crédito. Ela deve, todos devem. Todos devemos. A gente paga. O custo do dinheiro é o custo da inflação oficial?
Outra coisa, a cesta básica. Vivem falando dela. Mas e os desejos? Sou chamado a ter mais desejos, pela publicidade incessante. Mais coisas foram criadas para me serem oferecidas . e a cesta básica fica imóvel. O resto não. Então, haveria que produzir outros discursos para apressar o limite da saturação do sistema ideológico que está por trás da globalização e do sucesso dos governos globalitários. Só que os partidos partem da análise dos economistas.”
NOTA:
Estreou dia 17 de agosto o documentário do cineasta Silvio Tendler, Encontro com Milton Santos ou o mundo Global visto do lado de Cá, que apresenta a última entrevista do geógrafo, na qual traça um painel das desigualdades entre o norte rico e o mundo do sul saqueado.

criado por alan
18:30:29