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Art Decô (Arte decorativa)
Sucessor do Art Nouveau (Arte Nova), o Art Decô é considerado o mais popular de todos os estilos.
O Art Decô manifestou-se sem limites em todo o mundo.
Nos anos 20, nos Estados Unidos, o Art Decô conviveu com o jazz, com o Charleston, com Fitzgerald, com o crack da bolsa de New York.
Na França, estilistas escandalizaram a França e a Europa encurtando as saias acima do joelho.
Na Alemanha o Art Decô foi levado às ultimas conseqüências torno-se o estilo que os designers alemães queriam para massificar e popularizar o desenho industrial.
Marcado por duas grandes guerras, 1914 – 1918 e 1939 - 1945, no meio desta ebulição de inspiração e arte, encontramos a artista plástica Tâmara de Lempicka. Figura musa do decô.
Vamos ser pertinentes com este Blog... Ela foi um anjo torto no Art Decô.

Tamara de Lempicka
Nasceu em 1898 na Polônia. Casou-se com um milionário russo. Em 1918 foge da Revolução Bolchevique para Paris, onde Maria Gurwik-Górska encontraria seu verdadeiro destino. Adota um novo nome – 'Tamara de Lempicka', tornando-se discípula do pós-impressionista Maurice Denis e do neocubista André Lhote. Do primeiro, herdará o colorido brilhante e sólido; do segundo, o desenho geométrico e a maneira de decompor os volumes.
Se tornou rapidamente personagem do circuito das artes dos 'années folles' da Paris nos anos 20, retratando a vida mundana e membros da nobreza.
Em 1925 já era famosa por seus casos extraconjugais, liberdade sexual, bissexualidade e pelo sucesso de suas exposições individuais.
Em 1939 mudou-se para os Estados Unidos.
Bela, emancipada, moderna e escandalosa, personagem das noitadas nova-iorquinas e dos salões parisienses de Arte, Tamara de Lempicka encarnou a 'folia' dos 'anos loucos' – as décadas de 20 e 30 do século passado. Poderia notar em sua companhia celebridades como Greta Garbo, Picasso e outros da época. Eram esplendores que camuflavam o abuso de cocaína, a depressão, as dificuldades nas relações familiares e, por fim, a solidão.
Em 1962, para de pintar, em 1978 muda-se para Cuernavaca, no México, aonde viria a falecer, em 1980.
Conforme expresso em seu testamento, suas cinzas foram dispersas, pela filha Kizette e o Conde Giovanni Agusta, sobre o vulcão Popocatepetl.

O Art Decô teve seu revival, voltou a ser moda nos anos 70 e 80.
Uma coisa me surpreende, a maioria dos artistas mais conhecidos, poderíamos mencionar vários, com raras exceções, viveram na miséria mal conseguiam vender suas obras... morreram doentes, alcoólatras, viciados, loucos e na miséria em que sempre viveram.
Tamara de Lempicka nasceu na riqueza, viveu na nobreza, foi bem sucedida, vivia rodeada por ricos e celebridades da época, teve todos os homens e mulheres que desejou.
Morreu solitária, depressiva e desejou que suas cinzas foram colocadas em um vulcão mexicano.
Imagino que o desejo esteja ligado ao fato de que os vulcões são indomáveis e são veículos de renovação da terra do planeta.
Apesar da situação paradoxal, vejo um sentimento comum entre aqueles ... desde Michelangelo, Van Gogh, Alejadinho e poderíamos pensar em cazuza, Torquato Neto e tantos outros que povoaram esse planeta, a insatisfação da criação .. Sempre procurando a criatividade maior, a Monalisa de cada um.
Será que por esse motivo foram geniais. Procuravam o prazer desenfreado como quem procura saturar o desejo de serem plenos.
Muitos se perderam na busca atroz de encontrar a perfeição absoluta e o estado de sublimação de seres humanos. E nós o que procuramos, acho que jamais serei um artista... me satisfaço com o simples fato de ser.


criado por alan
21:22:52
(Con)viver com palavras não é fácil, principalmente se a nossa necessidade de palavras for uma ânsia. Às vezes fica difícil saber se habitamos as palavras ou se são elas que nos habitam. Esse atrito cruel entre presença e fuga, controle e descontrole, compreensão e incompreensão. Mas o melhor de tudo é que, por mais que doa, e dói muito, a coisa toda é muito prazerosa. Penso que escrever é nos atrevermos, corajosamente, à arqueologia do espelho.
Hoje entendo claramente o meu medo. Simplesmente medo, aversão às imperfeições do espelho, de confrontar com a lucidez cristalina da materialidade da palavra a obscuridade da intimidade mais funda aflorada na trama da nossa escrita, do nosso texto. Quando escrevemos nos tornamos um prato cheio para a voracidade do bom leitor, aquele que lê nas entrelinhas, nos silêncios, nos não-ditos, na intenção que se entortou no meio do caminho e contornou a pedra, a nossa fragilidade toda à flor da palavra que mais confirma quanto mais se nega...

criado por alan
16:10:25
Milton Santos: nascido no sertão bahiano, , formado em direito, Geógrafo doutorado na França, professor da USP , escritor e intelectual.
Faz 6 anos que faleceu o professor Milton Santos, em 24 de agosto de 2001. Há 09 anos deu uma entrevista a Revista CAROS AMIGOS, resgatei alguns trechos da entrevista que provavelmente nos trará saudade da genialidade do professor Milton e para aqueles que não conheceram seu pensamento a certeza da perda de uma personalidade impar e brasileira.
Depoimento dos entrevistadores:
“A placidez, a serenidade, a fala lenta e pausada, os gestos naturais, os silêncios, o sorriso permanente, a risada aberta e gostosa, tudo nele irradia humanidade. Estar a seu lado traz a segurança de estar perto da sabedoria.”
Frases do entrevistado:
“ ... a solidariedade, não existe mais no Brasil. A forma como se trata os aposentados – há um contrato da nação que cada pessoa cumpriu a vida inteira, e no fim dizem a ela: “Esse contrato não vale mais”. E isso é aceito! Então os diversos capítulos do que seria a solidariedade são bafoués, largados, e uma parte da sociedade aceita como normal porque estamos “no caminho da modernidade, para ser primeiro mundo”.”
Sobre o MST:
“Primeiro vejo como esse grito que a maior parte de nós não pode dar, não quer dar, que não nos convém dar. E creio que esse fim de século é dos paradoxos. Paradoxo é a contradição em estado puro, não é? Então, ao mesmo tempo em que o MST é criticado, ele é apreciado, pelo que contam as pesquisas.”
“... dizem-nos que o direito é para ser obedecido, quando na realidade ele é para ser discutido, pois o direito é o resultado de um equilíbrio provisório que se cristaliza – mas a sociedade continua dinâmica, então não se pode imaginar o direito assim imóvel como o querem. “
“A política é feita pelas grandes empresas. Os políticos não fazem política, o aparelho de Estado não faz política, são porta-vozes. O povo faz política, os pobres é que fazem política . Porque conversam , porque conversando eles defrontam o mundo, e buscam enfrentar o mundo. E agem, quando podem, em função do mundo. Creio que essa é a questão do MST.”
“...é a ditadura da informação, e informação criadora de mitos e de símbolos que são a base da globalização...
O movimento da sociedade desprende o mito, desprende o símbolo. Tanto que os outdoors são mudados com o propósito de recriar a propaganda eficaz.
Então há um limite à vida dessas ideologias, e será que esse limite está chegando? Qual é o limite do Real? Qual é o limite, por exemplo, do cálculo da inflação?
A classe média vive do crédito. Ela deve, todos devem. Todos devemos. A gente paga. O custo do dinheiro é o custo da inflação oficial?
Outra coisa, a cesta básica. Vivem falando dela. Mas e os desejos? Sou chamado a ter mais desejos, pela publicidade incessante. Mais coisas foram criadas para me serem oferecidas . e a cesta básica fica imóvel. O resto não. Então, haveria que produzir outros discursos para apressar o limite da saturação do sistema ideológico que está por trás da globalização e do sucesso dos governos globalitários. Só que os partidos partem da análise dos economistas.”
NOTA:
Estreou dia 17 de agosto o documentário do cineasta Silvio Tendler, Encontro com Milton Santos ou o mundo Global visto do lado de Cá, que apresenta a última entrevista do geógrafo, na qual traça um painel das desigualdades entre o norte rico e o mundo do sul saqueado.

criado por alan
18:30:29Atualmente estou lendo o livro de O. Pamuk, escritor Turco e premio Nobel em 2006. - NEVE
Neve conta a história do poeta e jornalista Ka, um exilado político que vive na Alemanha, mas que volta para sua cidade natal na Turquia, chamada, vejam só: Kars (que significa Neve, em Turco).
Ka pretende escrever uma matéria sobre Kars para um popular jornal da Alemanha e também investigar o estranho aumento repentino de suicídios entre as jovens da cidade. Durante a viagem, ele lembra de uma antiga colega chamada Ïpek, uma moça divinamente bela, pela qual ele se apaixona em um piscar de olhos.
O conflito político e religioso é intenso e envolvente, ao mesmo tempo que mistura o romance entre Ïpek e Ka, impregnado com os valores quase exóticos da cultura oriental.
As duas facções principais são os islamitas radicais e os chamados secularistas (ou ateus), que inclusive estão disputando as eleições na cidade. A principal escola - a Escola Secundária - proíbe as moças de entrarem vestindo seus mantos, que são uma marca bem forte de sua religião. É a partir daí que se iniciam as especulações de Ka, que tenta entrevistar familiares das suicídas, apesar de não ter muito sucesso.
Fato interessante é que apesar de o livro tratar da religião islamita — na qual Deus se chama, na verdade, Alá — esse nome não aparece sequer uma vez no romance e também pouquíssimas vezes o nome do profeta Maomé é citado. Isso me levou a pensar se não foi um caso de censura da tradução — que partiu do Turco para o inglês e daí para as demais línguas. Será?
Gostaria de comentar com alguém que ja leu o livro.
Ferit Orhan Pamuk (Istambul, 7 de junho de 1952) é um escritor turco.
Nascido no seio de uma família rica de Istambul, estudou no estrangeiro Engenharia, Arquitetura e Jornalismo. Todavia, preferiu dedicar-se à Literatura, a partir de 1974.
O projecto teve continuidade até hoje e é tido como o maior romancista turco da atualidade, com obras traduzidas em mais de trinta idiomas.
Tornou-se polémico ao acusar, num artigo de um jornal suíço, por si escrito, seu país de ter cometido genocídio contra o povo armênio, aquando da decorrência da Primeira Guerra Mundial e o assassinato de 30 mil curdos, a posteriori. O caso foi levado à justiça turca, e Pamuk teve mesmo que prestar declarações em tribunal. Este caso teve polémica internacional e o romancista tornou-se conhecido um pouco por todo o mundo. 

criado por alan
20:50:13
Poema de Sete Faces
Carlos Drumond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Após a morte de T. Neto o cineasta Ivan Cardoso produziu o documentário - Torquato Neto, o Anjo Torto da Tropicália -
Pensando no poema de Carlos D. de Andrade penso, qual a ligação dado pelo cineasta ao poeta de Teresina e o poema do Mineiro?

criado por alan
17:53:06